Texto de Marcelo Campos (2010)

A Vulnerabilidade dos Corpos
por Katia Canton (2008)

Entrevista do artista a
Maria Alice Milliet (2004)

O Avesso do Coração Catálogo Banco do Brasil

Insensato Coração
Catálogo Banco do Brasi
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Para entender a obra de Hildebrando de Castro
Entrevista do artista a Maria Alice Milliet
(São Paulo, dezembro de 2004)

Hildebrando de Castro nasceu em Olinda, em 1957, e atualmente vive e trabalha em São Paulo .  Selecionando as individuais mais importantes de sua carreira, destacamos: Casa Triângulo, São Paulo (2004); Faygold Gallery, Atalnta, EUA (2003); Paço Imperial, Rio de Janeiro (1998); Galeria Camargo Vilaça, São Paulo (1997); Ear McGrath Gallery, Nova York, EUA (1996); Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (1995).  Entre as coletivas, destacam-se: Léo Bahia, Belo Horizonte; Itaú Cultural e Arte Viceral, Museu de arte Moderna, Rio de Janeiro (2004);  Subversão dos Meios, com curadoria de Maria Alice Milliet, Itaú Cultural; Casa Triângulo, São Paulo (2003); Desenhos , Galeria Camargo Vilaça, São Paulo (2000); Haus de Kulteren Der Welt, Berlim, Alemanha; Paço Imperial, Rio de Janeiro (1998); Coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de arte Moderna, Rio de Janeiro e em Salvador; Excesso, Paço das Artes, São Paulo (1996); A Figura Humana Além das Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro (1995).  Entre os prêmios, estão: Prêmio Aquisição, Instituto Brasileiro de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro (1995); Primeiro Prêmio (1986) na Faber Castell Exhibition, Museu de Arte de Nuremberg, Alemanha; Primeiro Prêmio (1985), Salão Carioca, Rio de Janeiro.

MA: No próximo ano você fará 25 anos de profissão. Não estaria na hora de pensar num amplo catálogo que dê conta desse percurso?
HC:  Achei genial a idéia da entrevista exatamente por isso. Pode ser o princípio de um livro que pretendo fazer.

MA: Quando começou a se entender como artista?
HC:Não freqüentei escola de arte. Cedo, parei de estudar. Fui trabalhar. E logo consegui emprego como artista gráfico.

MA: Você se considera um talento nato?
HC:  Como toda criança, eu desenhava. Quando era garoto rabiscava em caderno, em bloco, em qualquer papel e, gostava do resultado. Mais que isso, achava maravilhoso. Sempre tive um carinho muito forte pelo que faço.  No começo, não tinha técnica, era só gosto de fazer.  Fui aprendendo sozinho à custa de muito trabalho.  Sou autodidata.

MA: A alta qualidade técnica de seus trabalhos sugere que se trata de obra de um perfeccionista. O que o motiva?
HC:  Busco melhorar, sempre.  Ainda não cheguei onde pretendo.  Por vezes pensei ter alcançado a perfeição técnica, verifiquei depois que havia muito caminho pela frente.  Já me aconteceu achar determinada série insuperável. Parecia impossível fazer melhor.  Até que, continuando a trabalhar, acabei por me surpreender com o que surgiu depois.

MA:  Quando teve a impressão de ter chagado ao seu limite?
HC: Em vários momentos.  Quando no ginásio fazia aqueles garranchos horrorosos, para mim aquilo já era o máximo.

MA: Sente a necessidade de se ultrapassar?
A melhora vem do trabalho continuado. Na realidade, é o próprio trabalho que vai sugerindo as soluções. É preciso ter muita persistência.  Quando, no final de 99, começo de 2000, comecei a pintar à óleo, senti enorme dificuldade.  Depois de tantos anos usando só pastel, você pode imaginar... Procurei muita gente, queria encontrar um professor que me ensinasse os segredos do óleo, mas não encontrei ninguém que me satisfizesse.  Então, parti sozinho.  Fui fazendo. Terminava uma pintura começava outra.  Era difícil, mas eu insistia e, de repente, algo aconteceu: “Meu Deus”, pensei, “consegui fazer melhor”!  Até que houve uma hora – foi em 2001 – em que encontrei a paz: havia chegado na pintura a óleo exatamente onde queria, ou seja, no mesmo nível que alcançara no pastel.

MA: Mudar de técnica quando já se domina bem determinado meio é sempre um recomeço.  Sem dúvida, foi uma ousadia sua querer igualar no óleo o nível de excelência alcançado no pastel.  E, a propósito, você nunca teve receio de ser considerado um artista anacrônico pelo uso do pastel, hoje uma técnica praticamente abandonada?
HC:  Nunca vi meu trabalho sob esse prisma. Para mim, fazer arte está muito ligado ao prazer. Sem os parâmetros impostos pelo ensino formal, minha visão da história da arte não é cronológica nem progressista.  Procuro afinidades, não tenho aquela ânsia do novo pelo novo.  Talvez a ausência de formação tenha me salvado.  Obedeci ao impulso de desenhar, de pintar, segui minha sensibilidade e, nesse caminho, fui aperfeiçoando a técnica e, sobretudo, explorando questões internas ao meu próprio trabalho.

MA: Conte como tudo começou.
HC: Comecei desenhando com grafite e lápis de cor como um ginasiano qualquer.  De início, o desenho era só gráfico, linear.  Depois veio a cor.  Minha primeira exposição foi em 1980, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.  Apresentei uma série de desenhos feitos em 1977.  Neles,  as figuras aparecem como personagens.  Têm tudo a ver com teatro, palco, encenação.  É a vida como espetáculo.

MA: E como chegou ao pastel?
HC: O lápis de cor impunha limitações. À medida que a dimensão dos desenhos crescia, aumentava a dificuldade.  Quando descobri o pastel, enlouqueci.  Passei a trabalhar em grandes formatos.  Por uns 15 anos me dediquei só ao pastel.  Você sabe, no Brasil, as pessoas resistem a comprar obras sobre papel.  A fragilidade desse suporte espanta o comprador.  Em compensação, todo mundo quer quadros a óleo.  Então, amigos me aconselhavam a largar o papel e passar para a tela, para a pintura a óleo.  A todos, eu respondia: não vou pintar enquanto não sentir que chegou a hora.  E, realmente, a pintura veio por exigência do próprio trabalho.

MA: Numa época em que o artista não costuma dar importância à disciplina, é admirável seu emprenho no sentido de conquistar o domínio técnico.  Essa conquista leva tempo, exige muita dedicação, muito querer.  Ainda mais quando se vai na contramão da arte de fácil aceitação, como é o seu caso.  Por que não arriscou uma mudança quando já era reconhecido pelos trabalhos a pastel.  Por que aderiu ao óleo cuja técnica você desconhecia?
HC: Por razões técnicas: certos efeitos que conseguia no pastel a cores, eu não os alcançava no preto e branco.  Para resolver esse problema decidi tentar a pintura a óleo.  Tive que começar do zero.

MA: Lembro-me que em 1995 você fez uma exposição de sucesso no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio.  Escrevi o texto para o catálogo e isso me deu a oportunidade de conhecê-lo melhor. Pouco depois, soube que estava deixando o pastel pelo óleo e que pretendia ficar um tempo no Estados Unidos.
HC: Justamente, foi um momento de transição.  Podia ter me acomodado, ficado no pastel.  Em vez disso, me propus um desafio: aprender a pintar.  É importante manter viva essa in quietação.  É isso que me faz preservar e é também o que me faz mudar.

MA:  Uma constante em sua obra vem a ser a fidelidade à representação analógica.  Entretanto, em qualquer de suas fases, o que se vê não é simples cópia do real, há sempre um estranhamento que desloca a percepção da realidade.  Há também uma forte conexão com a fotografia.
HC:  Exato. A minha pintura é toda ela baseada na fotografia.  Sou fascinado pelos contrastes de luz e sombra.  No início, eu tirava fotos preto e branco daqueles que seriam os meus personagens e , no papel, passava as imagens ampliadas para cor.  O mias importante pra mim já era a luz e a sombra.  Agora, tiro fotos coloridas e passo para o preto e brnaco na tela, entende?

MA: Quando a fotografia entrou em seu trabalho?
HC:  Desde o princípio a minha referência foi a fotografia.  Comecei fotografando as pessoas que seriam os meus personagens, por uma questão de comodidade.  Como eu trabalhava com modelos de 70, 80 anos, ou mesmo com mais jovens,  era impossível reter essas pessoas por quatro, cinco ou seis horas, posando.  Então, armava o cenário, fazia a luz e , em meia hora, batia uma seqüência de fotos e liberava o modelo.  Com a foto eu podia trabalhar a qualquer hora, para e retomar, dispor do meu tempo.  É um trabalho demorado, de paciência.

MA:  Pode-se dizer que sua pintura tem qualidade fotográfica.  A essa distância (aproximadamente 4 m) é quase impossível distinguir se aquele quadro apoiado no cavalete é uma pintura ou fotografia.  Você já pensou em expor suas fotografias?
HC:  Meu projeto é outro: eu revelo as minhas fotos em pintura, uso pincel e tinta para revelar o que o filme registrou.  Não deixa de ser uma manipulação do registro fotográfico.

MA: Observando o que acontece no mercado de arte, percebo que grande parte do sucesso da fotografia vem da saudade que o público tem da pintura.  Estou pensando na pintura figurativa com seus gêneros: o retrato, a paisagem, a natureza-morta e a pintura narrativa com suas cenas de costumes etc.  Nos últimos dez anos, vimos o quadro que decorava a casa burguesa ser substituído pela foto ampliada.  A propósito, as paisagens que você mostrou recentemente em São Paulo, na galeria Casa Triângulo (2004), são exemplos da relação fotografia versus pintura em chave nostálgica. Você concorda?
HC: Hoje, a natureza como tema, por si, já suscita certa nostalgia devido ao desmatamento, à poluição das águas etc., à perda que isso significa para a humanidade.  Esse sentimento do irrecuperável está ligado à própria vida dos seres que envelhecem e morrem.  Antes das paisagens eu já vinha tratando, na pintura, a passagem do tempo e seus efeitos.  Tinha concluído um conjunto de quadros em que aparecem rostos de pessoas quando jovens e , anos depois, com as marcas da idade: uma lente de aumento sobre o rosto jovem traz de volta o passado.  Foi quando na feira de antiguidades da Praça XV, no Centro do Rio, encontrei, numa banca, uma coleção de fotografias antigas.  Fiquei fascinado com a vista das cataratas do Iguaçu.  Imediatamente, pensei em passar aquilo para uma grande tela.  Daí surgiram as paisagens na minha pintura.  Tomei como ponto de partida postais fotográficos do século XIX e, mais tarde imagens apropriadas via internet.

MA: Foi uma virada?
HC:  Aconteceu.  A exposição estava marcada e eu insistia em mudar de rumo.  Depois de tantos anos de trabalho a figura humana num espaço fechado, as pessoas sempre dentro de algum lugar, era como sair para fora, olhar o mundo.  Para mim, foi como uma porta que se abriu.

MA: Será que esse interesse pela “natureza” tem relação com o fim de sua longa permanência no exterior, com seu retorno ao Brasil?
HC: Fiquei sete anos fora, a maior parte do tempo nos Estados Unidos. É bom voltar.  Estou gostando muito de morar em São Paulo.  Quanto às paisagens, minha preocupação nunca foi a representação fiel das fotos, mas envolver o espectador.  Por isso as telas são grandes: 1,50x2,00; 1,70x2,30m, em torno disso. É como um telão em branco e preto.

MA: Recapitulando as fases de sua obra, depois das mulheres gordas, da anã, da mulher-sereia, ou seja, daqueles estranhos personagens que povoavam suas grandes obras em papel, vieram os corações, as cabeças e pernas de bonecas, ainda em pastel.  Abandona as figuras de corpo inteiro pelos corações...
HC:  A verdade é que cada vez que eu via aqueles coraçõezinhos de frango no espeto, como se vê em churrascaria, aquilo mexia comigo.  Até que eles invadiram meu trabalho.  Passei a freqüentar açougues, escolher os corações mais perfeitos, com menos gordura, com veias mais ou menos aparentes etc.  Eu os comprava e , no estúdio, eles eram fotografados.

MA:  Existe algo mórbido nessa fase.  Já para o final da série, o coração aparece claramente associado à iconografia católica. 
HC:  Foi quando eu fiz aquela paródia: o coração com dois bracinhos de boneca, parecendo um crucificado. Mais tarde, vim a representar o coração cercado de espinhos como o Sagrado Coração de Jesus.

MA: Vejo daqui um prato de parede que tem um coração estampado no centro.  O mais estranho é que está envolto por arame farpado.  Que eu saiba, você nunca expôs esse objeto.
HC: Foi mostrado um prato com o mesmo motivo no tradicional lelão em benefício do Museu Lasar Segall.  Quando o prato estava para entrar no forno, me veio a idéia de fazer esse outro que aqui está.  Por ser oval e não redondo como o primeiro, aqui a analogia com estampa do Coração de Jesus – que nas casas populares tem sempre uma moldura oval – é imediata.  A presença real do arame perfurando o prato confere maior dramaticidade à peça e elimina qualquer possibilidade de uso. É objeto de arte.

MA: Em sua obra, freqüentemente, associa-se o religioso ao erótico.  Seus quadros ao mesmo tempo que perturbam, seduzem o espectador.  Estranhamento e repulsa misturam-se à atração e ao fascínio.  Diante de imagens pouco convencionais e da crueza com que são tratadas, ninguém fica indiferente.
HC: De fato, isso acontece, embora ultimamente esses componentes agressivos tenham se diluído um pouco.  Mas não me iludo, sei que essa perda de intensidade, digamos, do componente erótico, é momentânea e que certamente ele retornará com força, mais adiante.  O mesmo ocorre com os temas.

MA:  Dos signos que compõem o seu repertório, o coração é um ícone recorrente.  Faz pouco retornou naquela montagem em acrílico de efeito holográfico.  Pude constatar que o público é atraído pela peça na mostra A Subversão dos Meios, realizada em 2002, no Itaú Cultural, em São Paulo. Como chegou àquele resultado?
HC: Pode-se dizer que se trata de uma holografia primitiva. São suas imagens impressas, uma sobre a outra, ou seja, um coração normal e outro inflado, sobreposto ao primeiro.  Sobre essa dupla impressão vem uma lentícula, ou seja, uma lâmina de acrílico ranhurada e transparente.  E, pronto!  Quando você se desloca, o coração ganha movimento.  É um recurso simples mas de grande efeito visual.

MA: Como foi a produção desse múltiplo?
HC: Quase ninguém trabalha com isso.  Em Nova York só havia um cara, que era um louco total, e foi por ele que procurei.  Para começar, me mostrou uma bailarina que fazia a dança do ventre, abaixando, levantando como num filme: 31 movimentos num único quadro!  Fiquei impressionado e acabamos trabalhando juntos.

MA: Quando mostrou pela primeira vez esse trabalho?
HC:  O coração pulsante fez parte de um conjunto que mostrei em 2003 em Atlanta (EUA), na galeria Faygold, e depois, em 2004, no Rio de Janeiro, na galeria Laura Marsiaj.  A exposição é toda concebida em cima do movimento.  Foi montada em duas paredes paralelas: numa ficavam os corações e na outra uma seqüência de pinturas nas quais um mesmo rosto de mulher aparecia, inicialmente de olhos fechados e depois, como que lentamente, o rosto se vira e olha o observador.  A idéia é conectar movimento e emoção.  Isso se dá no percurso: enquanto caminha, o visitante vê simultaneamente os corações pulsando e o rosto voltando-se em sua direção.  Na entrada, em parede isolada, ficava um grande coração: um painel, de aproximadamente dois metros de altura, formado por quase cem fragmentos ou placas colocadas num suporte de madeira, sendo uma das placas saliente.

MA: Essa montagem, aparentemente simples, reúne com sucesso duas recorrências em dua produção artística. Gostaria que você explorasse a conexão erótico-religiosa em seu trabalho e a presença de um rosto reconhecível em muitos de seus quadros.
HC: Numa Siro foi minha primeira modelo, e desde então se tornou minha musa inspiradora, importantíssima como pessoa e personagem, além de grande amiga.  Como performer, ela é uma figura Cult.  Há 15 anos, fizemos juntos uma performance na Academia Brasileira de Letras, que incluía poesia erótica. Desde então, tenho feito cenários para suas apresentações.

MA: Você teve educação religiosa? Em que medida isso influi no seu trabalho?
HC: Quando criança, aquelas imagens do Sagrado Coração de Jesus e do Sagrado Coração de Maria, peito aberto e o coração de fora, me impressionavam.  Aquilo me afligia, não podia entender. Na realidade, a religião me veio de casa.  Fora do universo familiar, eu pouco conhecia do catolicismo.  De vez em quando minha mãe ameaçava: ”se você continuar assim, vou te mandar pro colégio interno”. No fundo, era eu sonho!  Ouvia histórias sobre os internatos religiosos, histórias de perversão.  Para um garoto que quase não saía de casa, era um mundo fascinante.  Acabei não sendo internado e só vim a conhecer melhor a iconografia religiosa quando estive no Vaticano pela primeira vez.  Fiquei impressionado: por onde andava, via cabeças cortadas, gente pendurada, crucificada, era sangue para todo lado.  Parecia uma galeria de terror... e, era uma igreja!  Num lugar em que, supostamente, as pessoas iam em busca de espiritualização, eu via corpos nus, torturados. Percebi o apelo erótico dessas imagens.  Os santos e mártires pareciam gozar no suplício, tal como São Sebastião todo flechado e com aquela expressão de felicidade! O conteúdo erótico é muito forte.  Meu trabalho é atravessado por esse erotismo, digamos perverso, desprovido de sentido religioso.  Estas imagens fazem parte da minha ficção.

Maria Alice Milliet é historiadora da arte, crítica e curadora. Mestre em História da Arte pela Escola de Comunicação e Artes e Doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo. Foi diretora da Pinacoteca do Estado de São Paulo (1989-1992) e curadora do Museu de Arte Moderna de São Paulo (nos períodos de 1993-4 e de 2002-2004). Atualmente, dirige a fundação José e Paulina Nemirovsky, em São Paulo. Como curadora independente tem realizado exposições em muitas instituições e galerias de arte. Publicou: Lygia Clark: obra-trajeto (Edusp, São Paulo, 1992) e Tiradentes, o corpo do herói (Martins Fontes, São Paulo, 2001) e vários ensaios críticos em catálogos e periódicos.